Coleta Seletiva, Energia Renovável, Sustentabilidade

Garis da Comcap acumulam acidentes de trabalho por causa de lixo mal-acondicionado

Não basta embrulhar em jornais. É preciso um pouco mais de cuidado para que o lixo de casas e estabelecimentos comerciais não venha causar acidentes de trabalho, como os que sofreram Tiago Soares e Leonardo Fortunato, garis da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital). Eles colecionam cicatrizes pelo corpo e péssimas memórias dos dias em que interromperam a coleta de resíduos para buscar socorro médico.

Há oito anos Leonardo Fortunato, 32 anos, trabalha como gari na coleta convencional da Comcap. Nesse período ele acumulou mais de dez acidentes de trabalho. O último foi causado por um prato de porcelana quebrado, que estava dentro de um saco plástico que se rasgou. “Quando o gari que estava comigo foi jogar o saco para dentro do caminhão a ponta do prato passou pelo meu braço e abriu minha pele”, detalhou. O ferimento, mesmo com pontos, levou mais de duas semanas para cicatrizar. Ao apontar as marcas de ferimentos pelos braços, Fortunato lembra que não basta embrulhar os cacos em jornais que molham e rasgam, ele salienta que é preciso acondicionar os materiais cortantes em garrafas pet, ou em caixas de leite, devidamente fechadas com fitas adesivas.

O gari pede ainda que a população tenha o mesmo hábito com outros resíduos, como espinhas de peixe, cascas de siri e cabeças de camarão. “Outros funcionários da Comcap já se feriram com esporões de bagres e cabeças de peixe-espada”, detalha. Quanto às latas de conservas, outro perigo constante à segurança dos trabalhadores, Fortunado pede que ao menos as tampas das latas sejam colocadas para dentro do vasilhame, para evitar os cortes que geralmente acontecem nos braços e pernas dos garis no momento em que os sacos de lixos são arremessados para dentro da caçambas dos caminhões.

Parte dos ferimentos que os garis sofrem durante a jornada de trabalho são torções nos pés em razão de calçadas irregulares e ruas desniveladas ou sem manutenção. No entanto, a maioria dos acidentes é causada pelo mau acondicionamento de materiais perfurocortantes. Em 2015, dezenas de funcionários da Comcap tiveram de se afastar em algum momento das atividades laborais, por ter se machucado, o que totalizou 2.814 dias de trabalho perdidos. No ano passado a Companhia tinha uma média de 23 acidentes mensais, mesmo durante a alta temporada. Devido ao grande número de turistas que a cidade recebeu em 2016, os registros de casos mensais subiram para 27, segundo a coordenadora do Sesmit (Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho), da Comcap, Cleria Wink Dias.

Ferimentos com materiais médicos

A Comcap tem 290 garis. Eles recolheram em 2015 192 mil toneladas de lixo e 12 mil quilos de materiais recicláveis, o que representa 6,9% da coleta. Parte dos resíduos recolhidos passou pelas mãos do gari Tiago Nunes Soares, 31 anos. Com seis anos de casa ele também contabiliza quase uma dezena de acidentes. O último deles deixou-o apavorado. “Somos orientados a abrir o saco para saber o que nos cortou ou perfurou. Quando vi que era uma agulha fiquei nervoso. Disseram que eu teria que tomar coquetel antiaids e isso não me ajudou muito”, recorda. Como a agulha era de uma lanceta, usada para a aplicação de insulina, por diabéticos, Soares ficou livre da medicação pesada contra o vírus HIV, mas não das vacinas contra hepatite e de testes trimestrais. “Tentei falar com a dona da casa. Ela não foi muito receptiva, então pedi para uma vizinha avisá-la de que não recolheremos seus resíduos enquanto ela não enviar as agulhas e seringas ao posto de saúde de seu bairro”, detalhou o trabalhador, sobre os materiais que devem ser acondicionados em garrafas pets, assim como os demais resíduos perfurocortantes. Tais descartes são recolhidos nas unidades de saúde pela Comcap.

O garis orientam a população que utilize sacos plásticos de cores claras, ou transparentes, ou que ao menos identifiquem com uma fita adesiva ou papel o material a ser recolhido pela coleta seletiva. “Não adianta pôr o vidro em caixa de papelão e identificar o resíduo. Se chove e a caixa molha o risco é o mesmo. Também não adianta colocar 60 litros de lixo em um saco onde cabem 30. Isso causa acidentes. É preciso mais conscientização”, defende Leonardo Fortunato.

Como descartar materiais perfurocortantes

Embalar em jornais e depositar em garrafas pet ou caixinhas de leite:

-Cacos de vidro, porcelana e similares

-Cabeça de peixe e camarão

-Espinhas de peixe

-Casquinhas de siri

Levar aos postos de saúde acondicionados em garrafas pet:

-Agulhas, lancetas e seringas.

-Latas de conserva devem ter a tampa empurrada para dentro antes de ser descartada.

A prefeitura da Capital e a Comcap instalarão 20 contentores no entorno do Mercado Público, para descarte de vidro. Atualmente os bairros Itacorubi, Capoeiras, Monte Cristo e Morro das Pedras contam com os equipamentos. No Continente são dez pontos de coleta.

Pontos para descarte de vidro:

Parque de Coqueiros (R. Capitão Euclides de Castro, 248)

Posto PM Praia do Meio (R. Desembargador Pedro Silva, 2600)

Rótula da Praia de Itaguaçu (R. Desembargador Pedro Silva, nº 3108)

Abraão (em frente à Academia Atlas), na esquina da Avenida Patrício Caldeira de Andrade com R. Manoel Felix Cardoso

Rua Vereador Nagib Jabor (ao lado do número 650)

Rótula Jardim Atlântico (Avenida Atlântica)

Praça em frente à Secretaria Continente (R. Santa Rita de Cassia)

Parque Naval (em frente à Marinha) (R. Orlando Odílio Koerich)

Praça Nossa Senhora de Fátima, Estreito (Rua Pedro Demoro – ao lado do canteiro)

Praça Senador Renato Ramos da Silva, Balneário do Estreito (Rua Sergio Gil – em frente à igreja)

Quantidade de vidro coletada nos pontos de entrega voluntária em 2015:

Mês: Quilos:

Janeiro 6.970

Fevereiro 4.800

Março 2.970

Abril 6.500

Maio 4.780

Junho 5.360

Julho 5.740

Agosto 6.820

Setembro 5.380

Outubro 5.010

 

Fonte: http://www.ndonline.com.br/