Coleta Seletiva, Reciclagem, Responsabilidade Ambiental, Sustentabilidade

Natureza sofre com descarte de embalagens

O consumismo exacerbado com que passamos a viver tem acarretado impactos ambientais que comprometem cada vez mais o ambiente, a qualidade de vida e os recursos naturais, a cada dia mais escassos.  Uma pesquisa do WorldWatch Institute (WWI) realizada em 2008,   demonstrou que a degradação ambiental aumentou cerca de 50% nos últimos 30 anos.

Junta-se a esta situação o aumento da população nas cidades e o excesso da produção para atender à crescente demanda por bens de consumo. Um novo conceito, o da “etiqueta de custos ocultos” vem tentando sinalizar o fato de a maioria dos produtos e serviços que adquirimos diariamente, não disponibilizar informações sobre os impactos ambientais, seja ao planeta ou à saúde e segurança do consumidor e mesmo dos trabalhadores envolvidos no processo de produção.

Segundo Rafael Tocantins Maltez, doutor em Direito Ambiental pela PUC-Pontifícia Univerdadade Católica de São Paulo, a tendência é a “aquisição ou utilização de produtos e serviços sem a preocupação ou o cuidado necessário em analisar o ciclo de vida das mercadorias e os impactos envolvidos na produção (desde a extração dos recursos naturais, o transporte, a transformação, passando pelo ambiente do trabalho, distribuição e comercialização)”. Segundo ele, “a necessidade de desenvolver uma consciência atenta a essas implicações é cada vez mais imprescindível para a eliminação ou redução dos impactos ambientais”.

Conforme Maltez, “diante da crise ambiental em que vivemos, não há uma política séria, sistemática, globalizante, para o desenvolvimento de atitudes sustentáveis, tampouco para a redução de danos e dos impactos”. Segundo ele, diante desse aspecto, “surge o argumento de que as tecnologias produtivas não são aptas a reduzirem os impactos, pois não se tinha a consciência ambiental na época de sua elaboração (como no caso dos combustíveis fósseis) ou que o custo é alto para a implementação de técnicas sustentáveis”.

O que se constata, contudo, conforme o especialista é o quanto “os grandes conglomerados passaram a produzir em ritmo cada vez mais acelerado, impossibilitando a regeneração natural que tem ritmo próprio”. Ele faz ver que “o consumo global de bens e serviços já ultrapassou cerca de 30% da capacidade de regeneração natural do planeta, o que nos leva a crer que talvez somente no momento em que os impactos passarem a interferir ou inviabilizar de tal modo sua vida cotidiana ou, do mesmo modo, no momento em que a produção for paralisada por falta de recursos naturais se obtenha a clareza necessária, mas aí qualquer reação será tardia”.

No entendimento de Maltez, “de um modo ou de outro, o ser humano deve manter-se atento, para que a tecnologia tão idolatrada, não se torne inviável, pois ainda depende dos recursos naturais, os quais nem sempre são percebidos como imprescindíveis e esgotáveis”. A situação atual, segundo ele, “requer atenção, consciência ambiental, e principalmente um freio nas embalagens e preços ocultos que insistimos em deixar de conhecer, seja por meio do bom senso, mudança de hábitos, posturas e, principalmente, na redução do consumo exagerado e desnecessário, pois é necessário fazermos algo, antes que seja tarde demais”.

Por dia, 25 mil toneladas vão para o lixo no Brasil

Um quinto do lixo doméstico no Brasil é composto por embalagens. Cerca de 80% delas são descartadas após serem usadas apenas uma vez. Como nem todas seguem para reciclagem, este volume ajuda a superlotar aterros e lixões, exigindo novas áreas para depositarmos o lixo que geramos. Isso quando os resíduos seguem mesmo para o depósito de lixo. Em todo o planeta é estimado que, aproximadamente, um terço do lixo recolhido é composto por embalagens. No caso brasileiro, são 25 mil toneladas de embalagens que vão parar, todos os dias, nos depósitos de lixo.

Recentemente, foi descoberta uma enorme quantidade de lixo boiando no meio do oceano Pacífico – uma área correspondente a dois Estados Unidos. Esse grande depósito de entulho se formou com o lixo jogado por barcos, plataformas petrolíferas e vindos dos continentes, sendo reunido devido às correntes marítimas. Acredita-se que exista algo em torno de 100 milhões de toneladas de detritos no local. Boa parte desse lixo é composta por embalagens e sacolas plásticas. Estima-se que resíduos plásticos provoquem anualmente a morte de mais de um milhão de aves e de outros 100 mil mamíferos marinhos (Fonte: Revista Istoé, edição 1997 – “A sopa de lixo no Pacífico”).

Ou seja, as embalagens, quando consumidas de maneira exagerada e descartadas de maneira regular ou irregular – em lugar de serem encaminhadas para reciclagem – contribuem e muito para o esgotamento de aterros e lixões, dificultam a degradação de outros resíduos ou são ingeridas por animais causando sua morte, poluem a paisagem, causam problemas na rede elétrica (sacolas plásticas que se prendem em fios de alta tensão), e muitos outros tipos de impactos ambientais menos visíveis ao consumidor final. O certo é que o aumento do consumo aumenta a demanda pela produção de embalagens, o que consome mais recursos naturais e gera mais resíduos).

Todo esse impacto poderia ser diminuído ou eliminado, basicamente, por meio da redução do consumo desnecessário e correta separação e destinação do lixo: compramos somente aquilo que é necessário, reutilizamos o que for possível e mandamos para reciclagem materiais recicláveis e para a compostagem os resíduos orgânicos.

 

Fonte: https://www.tribunadabahia.com.br